Mais um artigo sobre a questão dos Trabalhos para Casa (TPC´s). Uma visão bastante interessante e que vem ao encontro das minhas ideias sobre esta temática. De facto, deveria existir uma diferença entre Trabalhos para Casa e o Trabalho em Casa.
Mas o mais interessante e impressionante neste artigo, é a citação de uma mãe, “o senhor, da maneira que fala, se calhar é capaz de ajudar o seu filho, mas na minha casa, chora a minha filha e choro eu, ela porque quer ajuda, eu porque não sou capaz de lha dar.”
Sim, são necessários. Para consolidar o que aprendem na escola, para manterem os Pais a par da matéria e inclui-los na aprendizagem dos filhos.
No entanto, devemos ter em conta que são apenas crianças. Precisam de brincar, de expandir a sua criatividade e personalidade. Precisam de tempo de brincadeira com os Pais, de mimo, carinho e amor.
Trabalhos de casa todos os dias e em quantidades exageradas, apenas vão fazer com que a criança se desmotive para a escola e crie um cenário de horror pela mesma.
Porque não adaptar os trabalhos de casa a situações do dia a dia? Criar na criança a ideia de que a matéria que aprende na escola, pode e deve, ser aplicada em casa, na rua, nas compras, com os amigos, por exemplo. Porque não aguçar a vontade de aprender das crianças, através de métodos mais lúdicos, mais adaptados a cada criança? Porque continuamos com métodos que apenas privilegiam a repetição e a consequente memorização, sem sequer compreenderem o seu objectivo?
Porque é que se continua a estimular a competição e o "eu tive melhor nota que tu", "eu sou melhor aluno do que tu", etc? Porque é que se continua a ensinar 20 ou 30 crianças da mesma forma, com a mesma rapidez, como se fossem apenas um, não respeitando que todas elas são diferentes, cada uma delas tem o seu ritmo, as suas capacidades, etc?
Na minha opinião, por estes e outros motivos, temos alunos a entrar e a sair das universidades com médias altíssimas, mas que quando chegam ao mercado de trabalho não conseguem vingar. Não passam de meros "memorizadores/decoradores", sem qualquer capacidade para se adaptarem a situações novas e diferentes do normal, sem capacidade para serem criativos e sem capacidade de saírem da sua zona de conforto.
Deixo um video do Psicólogo Eduardo Sá, com uma visão bastante interessante sobre os trabalhos de casa.
Ontem perdi decididamente a paciência para os TPC's diários (e em quantidades industriais), que ainda são passados por alguns professores por este país fora.
Quando fui buscar a minha filha à escola, fui surpreendido por uma inundação de lágrimas que trazia na cara. Eram mais uma vez os malditos TPC's. "Pai, tenho muitos trabalhos de casa para fazer, são duas cópias e mais uma ficha de Português. Hoje não vou puder brincar nem ir ao jantar de anos do tio", disse-me completamente desesperada. Tentei a acalmar e disse que a ia ajudar e que terminávamos num instante. No entanto, fui surpreendido por mais uma colega da minha filha com o livro de Português na mão a dizer "são estas as cópias que temos de fazer". E lá estavam 2 páginas de cópia para fazer.
Decidi escrever um recado á professora, mas escrevi primeiro numa folha de rascunho para depois passar a limpo para a caderneta. Em jeito de brincadeira e também como forma de motivação, enquanto a minha filha fazia a sua cópia, a mãe desafiou-a a tentar terminar a cópia primeiro do que eu. E não é que aquilo realmente cansa? No final de passar o recado para a caderneta tinha a mão mais dorida, do que se tivesse passado uma hora aos socos num saco de boxe. Como pode uma criança depois de passar um dia inteiro na escola, chegar a casa e ainda ter paciência, cabeça, discernimento, motivação, etc, para fazer duas cópias do tamanho de uma página A4 cada uma, mais uma ficha de Português?
Não sou defensor da abolição dos TPC's, nem tanto ao mar nem tanto à terra, mas defendo que trabalhos de casa diários e em quantidades industriais, não vão fazer com que uma criança aprenda mais e melhor. Pelo contrário, tornam-se em autênticos tormentos para a criança e para os próprios pais, onde um momento que deveria ser de calma e tranquilidade, depois de um dia inteiro na escola e trabalho, são tornados num campo de guerrilha entre pais e filhos.
Se depois de 8h na escola e em sala de aula, as crianças ainda são obrigadas a estar mais 2h ou 3h a fazer trabalhos de casa, quando é que têm tempo de ser crianças? Quando é que podem brincar com os pais e irmãos? Que motivação vão ter estas crianças para se levantar no dia seguinte, sabendo que depois de 8h fechadas na escola, ainda as espera uma sessão aterradora de trabalhos para fazer, choros, gritos, frustrações, etc?