Mais um artigo sobre a questão dos Trabalhos para Casa (TPC´s). Uma visão bastante interessante e que vem ao encontro das minhas ideias sobre esta temática. De facto, deveria existir uma diferença entre Trabalhos para Casa e o Trabalho em Casa.
Mas o mais interessante e impressionante neste artigo, é a citação de uma mãe, “o senhor, da maneira que fala, se calhar é capaz de ajudar o seu filho, mas na minha casa, chora a minha filha e choro eu, ela porque quer ajuda, eu porque não sou capaz de lha dar.”
Os filhos não vêm com manual de instruções, mas deviam. Seria tudo bem mais fácil. As birras, as oposições, a teimosia, enfim, todo esse rol de coisas ou situações que deixam qualquer Pai ou Mãe de cabelo em pé.
Muitas vezes, durante estas situações, perdemos a calma e a compostura, e temos atitudes das quais nos arrependemos no segundo seguinte. Ficamos tristes e com um enorme sentimento de culpa.
No fundo, apenas queremos o melhor para os nossos filhos, e sentimos uma enorme frustração, quando achamos que não estamos a conseguir atingir esse objectivo. Nada como readaptarmo-nos, repensar estratégias, alterar conceitos. Todas as crianças são diferentes, cada uma com a sua personalidade, e a única coisa em comum que têm, é que todas elas precisam de amor, mimo, carinho e Pais presentes.
Os filhos não vêm com manual de instruções, mas deviam. Resta-nos errar e aprender.
Sim, são necessários. Para consolidar o que aprendem na escola, para manterem os Pais a par da matéria e inclui-los na aprendizagem dos filhos.
No entanto, devemos ter em conta que são apenas crianças. Precisam de brincar, de expandir a sua criatividade e personalidade. Precisam de tempo de brincadeira com os Pais, de mimo, carinho e amor.
Trabalhos de casa todos os dias e em quantidades exageradas, apenas vão fazer com que a criança se desmotive para a escola e crie um cenário de horror pela mesma.
Porque não adaptar os trabalhos de casa a situações do dia a dia? Criar na criança a ideia de que a matéria que aprende na escola, pode e deve, ser aplicada em casa, na rua, nas compras, com os amigos, por exemplo. Porque não aguçar a vontade de aprender das crianças, através de métodos mais lúdicos, mais adaptados a cada criança? Porque continuamos com métodos que apenas privilegiam a repetição e a consequente memorização, sem sequer compreenderem o seu objectivo?
Porque é que se continua a estimular a competição e o "eu tive melhor nota que tu", "eu sou melhor aluno do que tu", etc? Porque é que se continua a ensinar 20 ou 30 crianças da mesma forma, com a mesma rapidez, como se fossem apenas um, não respeitando que todas elas são diferentes, cada uma delas tem o seu ritmo, as suas capacidades, etc?
Na minha opinião, por estes e outros motivos, temos alunos a entrar e a sair das universidades com médias altíssimas, mas que quando chegam ao mercado de trabalho não conseguem vingar. Não passam de meros "memorizadores/decoradores", sem qualquer capacidade para se adaptarem a situações novas e diferentes do normal, sem capacidade para serem criativos e sem capacidade de saírem da sua zona de conforto.
Deixo um video do Psicólogo Eduardo Sá, com uma visão bastante interessante sobre os trabalhos de casa.
No novo livro, o psicólogo Eduardo Sá faz uma crítica às escolas e aos pais. Avisa que "errar é aprender" e que as crianças não devem ser educadas para se tornarem "modelos normalizados".